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A criança surda deve aprender Libras?

A criança surda deve aprender Libras?

Carolina Carneiro Farias

A criança surda adquire de forma espontânea e natural uma língua de sinais. O acesso à língua portuguesa, no entanto, se dará de maneira mais formal. Por esse motivo, a língua de sinais torna-se importante para o desenvolvimento da linguagem da criança surda.

O termo bilinguismo bimodal refere-se a crianças surdas com implante coclear ou aparelhos auditivos que tem a língua de sinais como L1 (língua materna) e a língua falada, no caso o português, L2 (2ª língua) como forma de se comunicar. Ou ainda, crianças ouvintes filhas de pais surdos que também terão a língua de sinais como L1 e o português como L2.

A língua de sinais desempenha um importante papel social na vida da criança surda, pois ela promove a interação com familiares e escola que são os principais núcleos de convivência do surdo, e um meio para expressar seus pensamentos, suas vontades e sua opinião. Enquanto o português desempenha uma função mais acadêmica. Sabemos que no dia a dia os surdos fazem uso do português escrito nos celulares e nas redes sociais para interagir. Eles usam o português para ler notícias, fazer consultas, escrever e ler mensagens. O acesso direto do português se dá mais pela escrita, que apesar de também ser visual como a língua de sinais, é gráfica, diferenciando-se da modalidade gestual-visual.

Por isso, consideramos os surdos bilíngües bimodais – e observamos que há vantagens de ordem linguística e cognitiva, já existindo estudos que mostram benefícios no desenvolvimento sensorial.

Há uma corrente de fonoaudiólogos realizando atendimentos fonoaudiológicos com crianças surdas em uma abordagem bilíngue, que utiliza a língua de sinais para oportunizar à criança a aquisição da linguagem de forma adequada, ou para tratar atrasos lingüísticos em sua L1, antes de ela iniciar a aprendizagem de uma segunda língua (oral ou escrita).

O processo pelo qual uma criança surda constrói sua linguagem através de uma língua visuo-espacial (que é o caso da língua de sinais), é o mesmo que uma criança ouvinte utiliza para adquirir a língua auditivo-oral, ou seja, passa pelos mesmos estágios de desenvolvimento. 

Durante muito tempo a única abordagem terapêutica utilizada pelos fonoaudiólogos diante de um paciente surdo era a abordagem oralista, na qual o principal objetivo era o aprendizado da língua oral, sem levar em consideração sua a capacidade de desenvolver a linguagem; e nem sempre a língua oral era a que mais se encaixava para o perfil do surdo.

Atualmente, o atendimento para a criança surda está focado na aquisição de uma língua natural para ela, visuo-espacial (língua de sinais), e logo após a detecção da perda auditiva, se preconiza o aprendizado da língua de sinais e o ensino da língua oral/escrita numa abordagem bilíngüe. Para que isso ocorra, o profissional deve ser fluente na língua de sinais e deve incluir os pais no processo terapêutico incentivando a aprendizagem da língua de sinais.

O atendimento fonoaudiológico bilíngue tem como principal objetivo o desenvolvimento linguístico na primeira língua, a língua de sinais, a interação e integração da criança em sua família (que geralmente é ouvinte) e a aprendizagem da língua oral e/ou escrita como segmento da língua.

 

Bibliografia: Cruz, C.R. “Avaliação e Intervenção da linguagem na criança surda em uma abordagem bilíngüe, capítulo 3 do livro educação para surdos: práticas e perspectivas”

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